Fez ontem 1 mês

Esta miúda amorosa e querida e que me faz tão feliz fez ontem um mês! Conseguimos que passasse um mês sem que nada de mal lhe acontecesse e isso é digno de festejo por isso fomos ao sushi e bebi um copo de vinho!



Juro que a ouvia chorar...

Que a mente é algo poderoso já sabia mas não esperava por esta.
Está a assistente cá em casa e o Ricardo e decido ir tomar um duche. Abro a água, entro no banho, ponho a cabeça debaixo de água e ouço-a chorar. Afasto-me da água e pára. Volto para perto da água e volta e foi assim o tempo todo, mas não desisti de tomar o meu banho.

Meti os cremes para as estrias, vesti-me e saí. Perguntei se ela tinha chorado e a resposta foi não. Aconteceu mais vezes, algumas vezes mal abria a água.
A nossa mente fica focada naquele ser e estando longe dela e sendo difícil ouvir se ela chora a nossa mente prega-nos partidas...

Quando estou sozinha deixo a porta aberta e ela na alcofa a dormir à porta, assim sei que está bem porque consigo vê-la.

Inútil e com medo

Foi assim que me senti dia 13/12/2017 quando decidiram que não teríamos alta porque ela perdeu mais de 10% de peso e decidimos decidiram suplementar.
Inútil, foi mesmo assim que me senti! Nem alimentar a miúda consigo! Já não chegava não ter podido ter o parto que queria e agora iam dar-lhe suplemento que, achei eu, ia fazer com que eu nunca conseguisse amamentar.
Explicaram que eu ia ver que ajudava, ela ia ficar mais forte e mamar melhor. Sim porque primeiro ia sempre oferecer mama e depois dava-se o suplemento (demos em copo e em seringa com cateter para ela não recusar a mama). Fazia ao fim de 1h extracção com a bomba para estimular a subida do leite.
O leite subiu, ela ganhou peso e foi mamando melhor e fomos para casa no dia seguinte. Ao longo da primeira semana em casa acabámos por retirar o suplemento e ela agora mama quase em exclusivo, por vezes dou suplemento quando ela por estar com dores não consegue mamar bem mas acontece pouco porque já não quero saber se ela só adormece na mama deitada ao meu lado!


E o medo, o medo de que ela pudesse morrer a qualquer momento, perdeu peso, muito peso, tirá-mo-la do útero antes de ela querer "se calhar não estava pronta"... O medo constante de que aquela criaturinha que tanta felicidade me trouxe do dia para a noite desaparecesse! O desespero de ela parar de respirar e eu não dar por isso! O medo, o medo constante de que algo lhe acontecesse e eu não pudesse fazer nada! E esse medo continuou umas semanas.



Agora, ela com quase 4 semanas, o medo está cá mas mais controlado, não me dá para chorar desalmadamente. Se decido dar suplemento já não me frustra se não a ajudar a acalmar, fiz o que achava que podia ajudar e não lhe fiz mal por isso só posso ter feito bem.



Ajudou falar com a Liliana (que nos deu o curso de preparação para o parto), ela é uma das pessoas mais calmas que conheci na vida e foi muito bom falar com ela e as palavras de encorajamento e que estamos a fazer tudo bem e que é normal os sentimentos e as lágrimas (desde que não venham com tristeza profunda ou outros sinais de depressão).



Se tiverem numa situação semelhante falem com alguém, falem com várias pessoas, falei também com as minhas melhores amigas e com o Ricardo e ajudou muito! Não estão sozinhas, é uma fase e vai passar!

Balanço do ano 2017 e 6º aniversário

Foi um ano cheio de aventura, ansiedade, medos, mas acima de tudo muita felicidade.
Começou com os tratamentos de fertilidade e a incerteza se resultariam, engravidei perto dos meus anos e que prenda...
A gravidez fluiu, com altos e baixos, mais ou menos enjoos, mais ou menos preocupações.
Tivemos imenso apoio da família e amigos mesmo à distância, há mensagens que chegam para aquecer o coração, há visitas que nem que seja de 1 ou 2 horas entre voos para nos arrancar sorrisos. Conseguimos estar com as nossas pessoas, seja por elas terem vindo cá ou por nós termos ido ter com elas e isso é que conta, as pessoas!

O ano culminou da melhor maneira possível com o nascimento da Bia... E com a Bia nasceu uma mãe mas nasceu também um pai e que pai!
O nascimento da Bia veio reforçar o que eu pensava sobre o Ricardo.

O Ricardo é, sem dúvida, um homem fantástico, um marido espectacular e o melhor pai do mundo! Desde os tratamento passando pela gravidez ele tem sido um pilar importantíssimo para mim,  mas desde que ela nasceu eu tenho a certeza que somos uma excelente equipa! A melhor das equipas! Acho mesmo que não podia ter melhor parceiro e que a Bia não podia ter melhor pai.

Rimos muito, chorámos muito, preocupámo-nos à vez, porque alguém tem de assegurar ao outro que tudo vai ficar bem, tentamos motivar-nos mutuamente e cuidar também de nós como casal e como indivíduos.

Obrigada por estares aqui para nós, obrigada por fazeres tudo parecer mais fácil, obrigada pelos sorrisos e pelos risos e por secares as minhas lágrimas de insegurança. Obrigada por seres o meu parceiro, meu amigo, meu companheiro e por seres o melhor pai do mundo!

Hoje faz 6 anos que nos beijámos pela primeira vez, percorremos um longo caminho e temos tantas coisas boas que até parece mentira.
Que o próximo ano nos traga muitas aventuras e alegrias e que consigamos continuar tão unidos como temos estado até aqui.

A todos que nos têm seguido desejamos que entrem com o pé direito, que 2018 seja um ano com muita felicidade e saúde e que os vossos desejos se realizem...


Fica aqui a primeira música que ouvi no rádio no ano de 2012, a caminho de casa do Ricardo para celebrarmos o primeiro dia do ano juntos...

Kraamzorg- assistente de pós-parto



Quando se tem um filho na Holanda por norma tem-se uma assistente de pós-parto em casa durante cerca de uma semana para ajudar na transição para casa e dar alguma informação e ajuda na amamentação, verificar o estado de saúde materna e do bebé e até eventualmente ajudar em casa com algumas tarefas.
É um serviço que é parcialmente pago pelo seguro, sendo que há uma pequena fracção que recai na nossa franquia (depois depende de seguro para seguro).
Todas têm formação específica para o trabalho mas depois entra a parte pessoal. Pode-se sempre recusar esta ajuda ou pedir para vir uma outra pessoa caso não estejam em sintonia com ela.

Nós tivemos imensa sorte na que veio cá a casa. A Jolanda, mãe de três filhos, tem um sorriso contagiante e imenso humor, gosta do que faz e nota-se. Foi de facto uma grande ajuda, uma semana cheia de gargalhadas, conselhos, ajuda, palavras de incentivo e encorajamento para nós e para a Bia.
No final deixou uma mensagem que nos fez chorar a todos e foi embora rápido porque lhe estava a custar ter de ir.

Se tivermos outro filho quero que ela seja a nossa assistente, sem dúvida.





Os dias no hospital

Estar no hospital não é propriamente algo que aprecie e neste caso tivemos de ficar um dia mais porque a princesa perdeu peso demais e quiseram monitorizar como reagia dando suplemento visto o leite ainda não ter subido.

Mas o que queria era falar do apoio espectacular que tive! A enfermeira que nos acompanhou na cesariana esteve connosco todos os restantes dias o que é algo que agradeço ter acontecido, é bom de manhã ver uma cara familiar, risonha e simpática. Na realidade todas as enfermeiras de todos os turnos foram impecáveis mas esta ficou com um lugarzinho especial no nosso coração. Ouviu alguns desabafos, acalmou algumas lágrimas de preocupação e dizia que se quiséssemos levava a miúda para casa para nos dar uma folga ahahah.

Não falando fluentemente holandês mas percebendo bastante foi muito bom ouvir o pessoal que lá ia ver a miúda dizer uns para os outros, em holandês, que ela era mesmo bonita.

Outra grande vantagem aqui é que nos hospitais, fora as enfermeiras terem formação em lactação, há também Consultoras de Aleitamento Materno (CAM) que podem ir ao nosso quarto ver como está a correr, fazer correcções e dar algumas dicas. Perguntaram-me se era o primeiro filho porque tinha bastante conhecimento de como ela devia colocar a boca e afins (bem dito curso de preparação para o parto da Liliana)

Até a comida não era má! Só havia uma refeição quente ao jantar mas a carne era fantástica! O pequeno almoço era básico mas bom, muesli com iogurte, pão, chá ou café.

Acima de tudo fomos muito bem tratados, fomos vistos várias vezes por obstetras,  parteiras e pediatras, a minha recuperação foi super rápida e estou mesmo agradecida a todo o pessoal do hospital VUmc por ter feito deste internamento uma experiência positiva pelo apoio e dedicação.


11-12-2017

Um dia que nunca vou esquecer.
Não foi um mar de rosas, afinal nenhuma cesariana que não seja primeira escolha de alguém o é. Mas foi uma decisão consciente e que compensava os riscos pois as alternativas acarretavam riscos maiores e o mais provável era acabar na mesma em cesariana.

Valeu a pena, muito, porque no fim tive a minha filha cá fora, saudável, com teste de Apgar quase perfeito, que ao fim de 1h30 já estava a mamar. Não foi uma cesariana humanizada, eles levaram-na para a limpar e voltaram para me ver mas dado que o bloco é arrefecido e ela estava com a temperatura baixa foi para o quarto com o Ricardo e fez com ele contacto de pele. Estava eu no recobro há 30 minutos e tinha pedido que ela viesse para baixo,em 1h30 desde que nasceu estava a mamar.

É indescritível a sensação, tê-la ali, a sério, minha, saudável... E isso vale tudo! As frustrações, os enjoos, o cansaço, o inchaço, a azia, as limitações, as noites mal dormidas por não ter posição, os sustos, os pontapés dolorosos, e até todo o aparato de uma cesariana...

Agora começa uma nova aventura, não mais fácil, com choro e insegurança mas muito amor. Mas essa vou contando aos poucos por aqui...


Grande Barriga Grande Nevão



Começou a nevar e já que vou deixar de estar grávida amanhã, o melhor é aproveitar...
Haja boa disposição e vontade de aligeirar o dia que antecede um grande dia!










Cesariana segunda-feira

Foi assim meio à última hora! Consulta na quarta-feira, tensão que nunca tinha estado alta sobe, faz análises e mais exames e depois de um dia quase inteiro no hospital "pronto então vamos marcar a cesariana para segunda".
Já me tinha mentalizado quanto à cesariana mas estava a contar ser mais perto das 40 semanas em vez das 38, choro, começo a pensar em tudo o que tenho de fazer (malas por fazer, baby shower no sábado, tanta coisa por ler e por em dia).
Vamos embora espairecer, os meus pais e irmão que tinha chegado na 3a estavam connosco o que ajuda, mais pessoas mais gente a poder dizer parvoeiras e a fazer rir.
Apoio de muitos amigos e colegas, palavras de encorajamento e siga para bingo.
Neste momento temos quase as malas feitas (a minha mãe ainda tem de passar a ferro a roupa da criança, porque ela quer), as coisas estão orientadas e o resto virá por si só.
O pai e o irmão foram embora e a mãe estendeu a estadia até terça, sempre conhece a neta e ajuda a organizar tudo até lá.

Vou desaparecer uns tempos por motivos óbvios mas voltarei com notícias... Quanto ao sistema de saúde, apesar de já ter tido experiências negativas e achar que é caro para o serviço prestado, quanto à gravidez não tenho nada a apontar, eles têm sido impecáveis e super cuidadosos para que tudo corra bem...

Não era de todo o parto que eu queria, não é a situação ideal mas no fim só queremos que ela saia saudável e eu também...